A Universidade Lusófona recebeu, no dia 29 de novembro, no anfiteatro Agostinho da Silva, a conferência “Paz em Tempos de Guerra”, um encontro organizado conjuntamente pelo Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, pela Grande Loja Legal/Regular de Portugal e pela Grande Loja Feminina de Portugal. O objetivo central foi promover uma reflexão alargada sobre a importância do Direito Internacional, dos direitos humanos e da cultura de paz num contexto global marcado por múltiplos conflitos armados.
Os trabalhos iniciaram-se às 10h00, com a apresentação do programa e a abertura conduzida por António Saraiva. Seguiu-se o primeiro painel, dedicado ao tema “Cultura de Paz e Estado de Direito”, moderado por Dalila Araújo, e que contou com intervenções de Feliciana Ferreira, Helena Pereira de Melo e Jorge Bacelar de Gouveia. A sessão sublinhou a urgência de reforçar mecanismos democráticos e culturais que favoreçam a resolução pacífica de tensões internacionais.
Após o coffee break das 11h30, teve lugar o segundo painel, “Direitos Humanos nucleares em tempo de guerra”, moderado por Raquel Guerra, com comunicações de Germano Almeida, Felipe Pathé Duarte e Nelson Lourenço. Os oradores analisaram o impacto dos conflitos contemporâneos na proteção de direitos fundamentais e discutiram os riscos crescentes para populações civis.
A conferência retomou os trabalhos às 14h30, com o painel “O Direito Internacional Público: crónica de um fim anunciado?”, moderado por Henrique Monteiro e que reuniu Eurico Reis, José de Faria e Costa e Rui Pereira. As reflexões incidiram sobre a fragilidade atual das normas internacionais e sobre a necessidade de revitalizar estruturas jurídicas que salvaguardem a paz global.
A cerimónia de encerramento contou com a intervenção do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Cabecinha, que sublinhou a importância do Direito Internacional como “muralha contra as forças antidemocráticas”, alertando para o risco de uma aplicação seletiva das normas internacionais conforme interesses políticos. Defendeu que todos os conflitos devem ser analisados à luz do mesmo quadro jurídico e ético, reafirmando que “as guerras trazem morte, miséria e desgraça” e que nada resolvem de forma duradoura.
Evocando o ideal kantiano de “paz perpétua”, Fernando Cabecinha concluiu que a posição do Grande Oriente Lusitano só pode ser a de “congregar esforços nacionais e internacionais para pôr termo urgente às guerras – a todas as guerras – fazendo-o com justiça para todas as partes envolvidas”. Reforçou ainda a necessidade de um sistema
internacional baseado no Direito e no respeito universal por Estados, minorias, maiorias, crenças políticas e religiões.
O Grão-Mestre terminou com um repto às instituições e aos cidadãos: “A paz só se ganhará com compromissos entre todos nós, sempre e quando nos assumamos coletivamente como defensores de valores maçónicos.”
A conferência “Paz em Tempos de Guerra” destacou, assim, o papel das obediências maçónicas portuguesas na promoção do diálogo, da justiça e da defesa dos direitos humanos num momento particularmente sensível para a Humanidade.